O que são as fintechs e como elas estão transformando o setor financeiro

Muito provavelmente você já ouviu falar na palavra fintech, que tem se tornado muito popular no Brasil nos últimos anos. O termo é uma abreviação de “financial technology” (tecnologia financeira) e, em suma, é usado para caracterizar novas tecnologias e métodos que buscam melhorar e automatizar as transações e o uso de serviços financeiros.

Nesse post, vamos tentar entender como o cenário brasileiros de fintechs está se desenvolvendo e como elas estão transformando o nosso setor financeiro.

1- O que realmente são as fintechs?
2- Diferenças entre fintech e startup
3- Quais os tipos de fintech e o que fazem?
4- Qual a posição do Brasil
5- Sudeste tem o maior número de fintechs
6- As fintech são seguras?
7- O papel dos smartphones e dos aplicativos móveis
8- Quais as vantagens das fintechs?

O que realmente são as fintechs?

Quando as fintechs surgiram no início do século XXI, o termo foi aplicado inicialmente às tecnologias empregada nas instituições financeiras estabelecidas. Desde então, houve uma mudança para mais serviços orientados às pessoas físicas e, portanto, uma definição mais orientada ao consumidor.

Hoje, as fintechs estão transformando completamente o setor financeiro que conhecemos, usando tecnologias como análise e processamento de dados para digitalizar e simplificar diversos serviços.

Diferença entre fintech e startup

Toda fintech é uma startup mas nem toda startup é uma fintech.

De forma geral, as startups são empresa que estão envolvidas com tecnologia e por esse motivo são consideradas modelos de negocios disruptivos. São escaláveis, o que significa que existe a capacidade de aumentar sua oferta e seus lucros de forma muito maior do que o aumento da sua estrutura de custos. Por esse motivos que as startups são consideradas empresas jovens, inovadoras e com enorme potencial de crescimento.

As fintechs, por sua vez, e por serem startups, estão enquadradas em todos esses requisitos com o diferencial que suas atividades são restritas às operações financeiras.

Quais os tipos de fintechs e o que fazem?

Vejamos algumas das principais categorias em que as fintechs se dividem e algumas de suas características como o tipo de serviços e faturamento. Todas as empresas citadas nos exemplos abaixo são genuinamente brasileiras.

Fintechs de backoffice

São empresas que oferecem softwares e serviços que auxiliam em diferentes áreas das empresas, como gestão e automação da contabilidade e das operações financeiras, gestão corporativa de pagamentos, preços, orçamentos, entre outros. 

O segmento de backoffice possui em média 44 funcionários e tem aproximadamente 80% das empresas do setor faturando até 5 milhões de reais. Se comparado a outras categorias, elas representam um dos segmentos com o faturamento mais modesto entre as fintechs.

Sub-categorias:

  • Contabilidade – Sistemas de gestão e automação da contabilidade das empresas;
  • Gestão financeira – Sistemas de gestão e automação da operação financeira de empresas;
  • Outros – Gestão corporativa de pagamentos, preços e outros orçamentos.

Algumas empresas:

  • Conta azul
  • Evencard
  • Nexaas
  • Eyemobile

Fintechs de meios de pagamento

As empresas desse segmento desenvolvem produtos e serviços com o intuito de facilitar o processamento de pagamentos. Abrangem desde tecnologias que facilitam transações por meio dos dispositivos móveis, gateways de pagamentos ou até mesmo máquinas de cartão de crédito. 

A maior parte das empresas deste segmento (cerca de 46% delas) faturam entre 360 mil a 5 milhões de reais. Outra parcela considerável são os que faturam entre 5 e 25 milhões de reais, aproximadamente de 26% desta categoria. 

Sub-categorias:

  • PdV – Tecnologia que facilita pagamentos por meio dos dispositivos móveis;
  • Processamento – Intermediadores de pagamento, gateways e outros agentes do segmento.

Algumas empresas:

  • Juno
  • Gerencianet
  • Azpay
  • Payly
  • BeBank

Fintech de cartões

Algumas das empresas desta categoria oferecem crédito aos seus clientes, enquanto existem também modelos recarregáveis pré-pagos, que podem ser utilizados sem linha de crédito ou conta bancária. 

As startups de cartões são as líderes quando a questão é faturamento: cerca de 27% das empresas da categoria faturam mais de 100 milhões de reais por ano. A categoria de cartões também é a líder entre os setores que mais possuem funcionários, numa média de 117.

Sub-categorias:

  • Crédito – Startups que disponibilizam cartões de crédito;
  • Pré-pagos –  Cartões recarregáveis que podem ser utilizados sem conta bancária ou linha de crédito.

Algumas empresas:

  • Zencard
  • Agillitas
  • Trigg
  • Crebit

Fintechs de crédito

São empresas que oferecem sistemas de oferta e concessão de crédito baseada na tecnologia. Oferecem esse serviço de duas formas: 1) conectam pessoas físicas e jurídicas diretamente às empresas através de ofertas diretas ou 2) plataformas P2P, como veremos à frente. Existem também modelos de gestão de consórcios para diferentes fins e sistemas de antecipação que disponibilizam crédito sobre futuros recebíveis de uma corporação.

O número de empresas nesse segmento e que faturam acima de 100 milhões de reais é bem considerável, passando dos 8% do total. Em média, fintechs de crédito possuem 30 funcionários, número relativamente baixo se comparado ao faturamento alto da categoria. 

Sub-categorias:

  • Marketplace – Startups que ligam pessoas e empresas a ofertas de crédito de agentes diversos;
  • Oferta direta – Oferecem crédito diretamente sem a necessidade de se conectar a outros provedores;
  • P2P – fazem conexão entre quem busca crédito e interessados em investir;
  • Consórcios – Sistemas que auxilia  na criação e gestão de um grupo de pessoas que se unem para formar um fundo conjunto para diferentes fins;
  • Antecipação – Instituições que oferecem crédito sobre futuros recebíveis de uma empresa.

Algumas empresas:

  • Nexxos
  • Portfy
  • Credpago
  • Avante

Fintechs de risco e compliance

Outro segmento relevante entre as fintechs é a de risco e compliance, que tratam de análises e comprovação de informações e dados das empresas.

Sub-categorias:

  • Análise de risco – Sistemas de determinação de risco para concessão de crédito, precificação e tomadas de decisão;
  • Antifraude – Processos que visam proteger empresas e indivíduos de dados e agentes fraudulentos;
  • Compliance – Serviços que facilitam a adequação regulatória e fiscal das empresas.

Cerca de 7,5% das empresas desse segmento faturam acima dos 100 milhões de reais anuais, quantidade bem relevante.

Algumas empresas:

  • upLexis
  • Inovamind
  • Peacelabs
  • Nextcode

Fintechs de dívidas

Essas startups trabalham com a negociação de dívidas e funcionam através de plataformas e sistemas de negociação, auxiliando na conciliação e parcelamento das dívidas.

Um terço dessas empresas apresentam faturamento entre 5 milhões e 100 milhões de reais, sendo que praticamente não existem instituições da categoria que tem faturamento acima dos 100 milhões.

Entretanto, a escalabilidade — que é o faturamento total ÷ número total de funcionários — da categoria é a maior entre todas, visto que, em média, empresas do segmento possuem apenas 9 funcionários.

Algumas empresas:

  • Parcele.me
  • Debitto
  • Blu365

Fintechs de serviços digitais

A categoria de serviços digitais talvez seja a mais conhecida entre os brasileiros. Elas representam as empresas que oferecem serviços financeiros e bancários administrados ou efetuado de forma digital. A categoria se divide em bancos digitais, contas digitais e e-wallets.

Os bancos digitais devem possuir as mesmas certificações bancárias que os bancos tradicionais, tornando-os capazes de oferecer os mesmos serviços e levando os bancos tradicionais a oferecerem serviços digitais. Já as contas digitais são startups que buscam substituir ou complementar o trabalho de bancos com serviços parecidos. Enquanto isso, os e-wallets são sistemas digitais responsáveis por armazenamento e transferências de dinheiro, semelhantes às poupanças, porém sem rendimento.

Algumas empresas:

  • Inter
  • Next
  • Itaú
  • Agibank
  • Guiabolso
  • Barkus

10% das startups da categoria arrecadam mais de 100 milhões de reais, representando a segunda categoria que mais fatura entre as startups do setor financeiro, ficando atrás apenas do setor de cartões. Fica atrás também apenas do setor de cartões quanto ao quesito número de funcionários: média de 101 colaboradores por instituições do setor.

Tecnologia

Empresas provedoras de tecnologia de base para outras empresas e instituições financeiras. São divididas em duas categorias:

  • Open banking – Startups que criam tecnologia para conectar e facilitar o fluxo de informações entre agentes do sistema financeiro
  • Infraestrutura – Outras tecnologias de base para permitir operações financeiras complexas e inovadoras

Algumas empresas:

  • Zenfiance
  • Finchain
  • Muxi
  • Qi Tech

Outras categorias de fintechs

Existem outros segmentos entre as fintechs que, de maneira geral, são segmentos menos desenvolvidos e que apresentam um faturamento um pouco mais modesto se comparado aos líderes de arrecadação como os setores de cartões e serviços digitais. 

São elas:

  • Câmbio – Instituições que oferecem serviços com o intuito de facilitar o fluxo de valores entre diferentes países e moedas;
  • Criptomoedas – Usa a tecnologia blockchain e sua aplicação em moedas virtuais. São sistemas que permitem a troca pelas moedas tradicionais, ou permitem o uso de criptomoedas como forma de pagamento em transações.
  • Crowdfunding – Plataformas que reúnem grupos heterogêneos de contribuintes financeiros para um propósito específico;
  • Fidelização – Sistemas que visam gerar fidelização e retenção de funcionários e clientes, sistemas de pontos e remuneração para consumidores;
  • Finanças pessoais – Produtos e serviços que oferecem gestão, tracking e educação relativos à vida financeira da pessoa física;
  • Investimento – Intermediam e permitem que usuários invistam dinheiro e obtenham retornos em diferentes classes de ativos.

Qual a posição do Brasil?

Segundo o sócio-líder de serviços financeiros da KPMG no Brasil, Ricardo Anhesini, o Brasil vive o melhor momento para o desenvolvimento de fintechs em toda sua história. Uma regulação mais adequada, além dos avanços das tendências tecnológicas, e o fato do nosso mercado ser gigantesco se comparado a outros países, valida esse argumento.

Outro ponto importante é qualidade e preço dos serviços. O exemplos dos bancos digitais é perfeito para ilustrar esse argumento, visto que a maior parte das operações financeiras brasileiras tradicionais está na mão de apenas 5 bancos. De certa forma, elas monopolizavam o mercado, abusando de taxas administrativas que, muitas vezes, o cliente nem sabe por que está pagando e com qualidade duvidosa.

Sendo assim, buscando alternativas para os mais diversos problemas, o cenário brasileiro de fintechs é extremamente animador: hoje existem mais de 500 startups focadas em soluções financeiras, existindo uma grande competição que contribui e muito para esse desenvolvimento.

Sudeste tem o maior número de fintechs

O Sudeste tem, de longe, a maior concentração que se diz respeito a criação dessas novas empresas. A discrepância é bem grande e a região corresponde a 74,5% na análise de divisão geográfica. A região sul apresenta uma participação de 18%, o nordeste 4,7%, centro-oeste mais distrito federal 2,2% e a região norte apenas 0,7%.

São Paulo é o líder absoluto no desenvolvimento desses negócios, sendo sede de fundação de quase 60% dessas empresas de tecnologia financeira. Em segundo lugar está Minas Gerais com 7,6% de representação, seguido pelo Rio de Janeiro com 7,4%.

Os três estados da região sul também mostram participação significativa no cenário brasileiro, cada um acima dos 5%. Já o Distrito Federal representa 1,5%, mesma porcentagem do Espírito Santo. Bahia e Pernambuco completam as listas dos estados que conseguiram atingir pelo menos 1% da participação nacional.

As fintechs são seguras?

Desde a digitalização de alguns serviços dos bancos tradicionais até o surgimento de bancos e contas 100% digitais, sempre existiram muitas dúvidas quanto a procedência e credibilidade dessas instituições. 

Porém, o setor financeiro na maioria dos países do mundo recebe atenção redobrada, sendo que, no Brasil, o Banco Central é um dos responsáveis pelo monitoramento e regulação desse mercado. Por isso, todas as fintechs precisam seguir várias normas para estarem aptas a oferecer seus serviços e produtos. Um exemplo disto é a Gerencianet, que a pouco tempo, foi autorizada pelo Banco Central a atuar como uma instituição de pagamentos.

A página do Banco Central oferece uma consulta a qual é possível pesquisar as empresas do segmento. Lá também dá para conferir se aquela empresa que te ofereceu um crédito ou um software que irá ajudar na sua gestão financeira, realmente existe e está regulamentada, evitando que você caia numa fraude.

O papel dos smartphones e dos aplicativos móveis

Os smartphones e aplicativos são peças fundamentais para o modelo de negócio de muitas dessas startups. Por exemplo, os banco digitais nasceram por conta da necessidade de melhores serviços bancários, mais dinâmico e desburocratizado, sem o pagamento de taxas abusivas. Assim, tem-se nos aplicativos a plataforma perfeita, sendo mais barata, de fácil acesso e uso e capaz de gerar gigantesca conversão para seus negócios.

Os smartphones integram diversas tecnologias e funções que são úteis para realizar pequenas tarefas, como a tecnologia NFC (Comunicação por Campo de Proximidade) que permite realizar pagamentos com a aproximação do celular com a maquininha. Outro exemplo é o uso da câmera do celular para ler um código QR e realizar uma transação, como já ocorre no aplicativo do Banco do Brasil. Nos dois casos, é o software (aplicativos) que ajuda a dispositivo (smartphone) a realizar todas essas operações.

Quais as vantagens das fintechs?

As fintechs ganharam espaço em todo mercado brasileiro por apresentar soluções baseadas na experiência do usuário, tecnológicas, menos burocráticas e com custos mais baixos para o consumidor final.

As novas gerações estão cada vez mais conectadas aos smartphones e as transformações digitais, dispositivos e processos que dinamizam a vida das pessoas: abolindo as filas e a necessidade de ir até uma agência para abrir uma conta ou fazer pagamentos, melhorando a comunicação, entre outros. Sendo assim, podemos dizer que a principal vantagem dessas instituições é oferecer serviços de forma cada vez mais simples, fomentando a inovação e a competição.

Esse texto foi produzido com base no Fintech Mini Report feito pela Distrito. 

Caso você tenha gostado deste post, sugiro que veja esse relatório completo. Ele está repleto de dados e outras informações muito interessantes sobre essa nova revolução do mercado financeiro brasileiro.

E você? Utiliza ou já utilizou o serviço de alguma dessas empresas? Qual foi a sua experiência? Deixe sua opinião aqui nos comentários!


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  • Ninguém jamais deveria levar o crédito pelo trabalho de outras pessoas! Certos artigos aqui na Usemobile são criados de forma tão colaborativa que é impossível atribuir-lo a uma só pessoa. Por isso, este artigo é do time que joga na linha de frente, o Marketeam.

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