Transformação digital no governo: PIX para pagamento instantâneo [ATUALIZADO]

A pauta “transformação digital” ainda está longe de esgotar seus diversos temas. Afinal, existem muitos processos a se digitalizarem, inclusive no setor público. Como o governo brasileiro possui a meta de se tornar digital, algumas ações estão sendo tomadas. A mais recente é a criação do PIX para pagamento instantâneo por meio de código QR, de autoria do Banco Central do Brasil.

A agenda do PIX prevê o lançamento oficial para todos os brasileiros no dia 16 de novembro. No entanto, o cadastro na plataforma foi antecipado para a partir do dia 5 de outubro. Segundo o próprio BC, esse adiantamento servirá para que a população se familiarize com o PIX.

Essa agenda também prevê que em agosto será liberado o regulamento e os manuais técnicos do PIX. Já no dia 3 de novembro será o início de operações restritas.

O que é o PIX e quais seus objetivos?

Segundo o diretor do DIORF (Departamento de Organização do Sistema Financeiro) do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, o objetivo do PIX é trazer facilidade e segurança de pagamento.

Além disso, o PIX também servirá para trazer condições equânimes de competição entre as ditas PSPs (prestadores de serviços de pagamentos) e, consequentemente, redução dos preços para o consumidor final, de acordo com Pinho de Mello.

Vale ressaltar que o PIX não terá seu próprio aplicativo, pois ele é uma nova opção de pagamento assim como o boleto. Na teoria, ele fará integração entre todas as contas, facilitando a transferência de dinheiro. O objetivo é que não seja necessária a espera de até 3 dias para a compensação dos valores, pois o BC afirma que 2 segundos serão o suficiente para finalizar a operação, justificando o “instantâneo” no tipo de pagamento.

Você pode conferir a coletiva de imprensa sobre a divulgação do PIX abaixo:

Como usar o PIX?

Basta apontar a câmera do smartphone para escanear o código QR e pronto, dinheiro transferido de uma conta para a outra com apenas 2 segundos. É o que promete o Banco Central. Assim, ao escanear o código, o valor devido será transferido automaticamente após a autenticação via senha, reconhecimento facial ou leitura biométrica.

Para facilitar ainda mais, vamos supor que estamos comprando um item num e-commerce:

  1. Escolhemos o produto e colocamos-o no carrinho;
  2. Preenchemos endereço;
  3. Escolhemos a forma de pagamento: boleto, cartão de crédito, cartão de débito ou PIX;
  4. Ao escolher PIX, o e-commerce irá gerar um código QR;
  5. No smartphone, abrimos o aplicativo da nossa PSP e clicamos na opção PIX/pagamento instantâneo;
  6. Escaneamos o código QR;
  7. Confirmamos os dados, autenticamos e pronto!

Já no caso de pagamento de pessoa para pessoa, o usuário pagador precisará preencher informações do recebedor (número do celular, CPF, CNPJ ou preencher um formulário com dados da conta) para que o dinheiro seja transferido. Basta conferir as informações e confirmar o pagamento por meio de autenticação.

Como vai funcionar o PIX?

Contrário aos bancos tradicionais, o pagamento instantâneo do PIX não terá limitações de horários, tendo funcionamento 24h, inclusive em finais de semana e feriados. Assim, quaisquer tipos de relacionamentos comerciais poderão ser facilitados, desde o C2C até Governo para Instituições. Ou seja, será possível pagar DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), GRU (Guia de Recolhimento da União), contas de luz, comércio eletrônico, transporte público, entre outras opções.

Portanto, existe a expectativa de grande adesão ao PIX. Inclusive, as PSPs (bancos, fintechs, instituições de pagamentos, corretora, cooperativa, outros) que tiverem mais de 500 mil contas cadastradas deverão aderir ao PIX obrigatoriamente. “Por esse critério, teremos cerca de 30 instituições, entre instituições financeiras e instituições de pagamento, representando mais de 90% das contas transacionais ofertada no Brasil”, explica Pinho de Mello.

À elas será cobrado uma taxa mínima de ressarcimento quanto os gastos de infraestrutura do Banco Central, sendo esse valor frações de centavos. Quanto ao usuário final, o Banco Central não cobrará nenhuma taxa. Contudo, ficará à cargo das PSPs aplicar tarifas, ou não, ao consumidor final.

Como funciona o QR Code do pagamento instantâneo?

Existem dois tipos de códigos QR, o estático e o dinâmico. O primeiro é possível determinar um valor fixo. Este tipo de código é recomendado para comércios de um único produto, como pipocas, hambúrgueres, e outros que possuem preço único. Já para supermercados, por exemplo, haverá um sistema de produção de códigos específicos para aquela compra.

Outras usabilidades do PIX e esclarecimentos sobre a plataforma você pode conferir no vídeo abaixo, com os experts da Gerencianet, Instituição de Pagamento especialista em emissão de boletos.

O cenário do pagamento instantâneo no Brasil

O Banco Central aponta que 14% da população não possui nenhum vínculo com instituições de pagamento, bancos, fintechs e outros tipos de PSPs. No entanto, pode-se prever que a facilidade do PIX irá reduzir esse número, especialmente porque a maior parte dos brasileiros acessam a internet através de smartphones, como já apontado pelo IBGE.

Além disso, está previsto que o leilão do 5G aconteça até o fim de 2020, o que significa que em breve o país terá conexão de alta velocidade operando no território. Dessa forma, o cenário do pagamento instantâneo, dentre outras facilidades proporcionadas pela transformação digital, apresenta altas expectativas quanto a adesão e produção de novas soluções.

Vale ressaltar que o PIX também poderá ser utilizado através das tecnologias de aproximação (NFC), enquanto que o 5G irá viabilizar ainda mais a penetração de acessórios wearables no mercado e nos cotidianos. Ou seja, podemos esperar pela substituição dos smartphones por smartwatches e smartbands para as soluções de pagamento, assim como já ocorre na China.

O secretário de Governo Digital, Luis Felipe Monteiro, tem expectativas positivas para a digitalização da gestão pública. Confira:

O que as PSPs devem fazer?

[Atualizado 2 de março às 13h38]

Para facilitar a implementação do recurso PIX nos aplicativos das PSPs, o Bacen liberou documentos que explicitam as regras de implementação, orientando também como oferecer uma boa experiência ao usuário final. Estes documentos podem ser acessados abaixo:

[Atualizado 01 de junho às 10:33]

O Banco Central lançou uma segunda versão da documentação para a experiência do usuário. Acesso abaixo:

[Atualizado 15 de junho às 11:34]

Há uma terceira versão da documentação que visa a experiência do usuário. Acesse:

Como o PIX atinge os aplicativos?

O exemplo mais palpável que temos é na utilização de aplicativos de mobilidade urbana e táxis. Existem apps que não possuem o pagamento integrado. Assim, as opções de pagamento do usuário são limitadas: dinheiro vivo, transferências a partir de apps de PSPs ou máquina de cartão disponibilizada pelo motorista.

Essa burocracia pode ser facilmente evitada a partir do pagamento instantâneo com o PIX, pois bastará apenas digitar as informações previamente cadastradas na plataforma ou escanear um código QR gerado na hora. Essa lógica também se estende aos transportes públicos, bastando um código estático para o usuário utilizar.

O que você acha do assunto? Conte para a gente nos comentários abaixo! E leve a informação para seus amigos compartilhando este artigo. Afinal, o que é interessante para você também pode ser para eles!

Post originalmente publicado em 20/02/2020.


  • Taysa Bocard
  • Analista de marketing
  • O interesse pela tecnologia e desejo por conhecimentos variados sempre fizeram parte de mim, isso desde a infância. Esse desejo pueril refletiu no meu cotidiano: sou jornalista engajada nas "techs". Porém, a busca pelos saberes não é a parte mais gratificante da minha atuação. Na verdade, o que mais me empolga é passar as informações para frente.

2 comentários no post “Transformação digital no governo: PIX para pagamento instantâneo [ATUALIZADO]

  1. Excelente artigo! A PIX realmente veio para revolucionar a forma como as transações são realizadas no Brasil. Pode parecer um exagero, mas acho que é um passo para o desenvolvimento do país. O que eu gostaria de saber é como vai ser tratada a questão dos pagamentos entre entes governamentais e empresas, já que são operações mais complicadas e, no entanto, são permitidas.

    1. Olá, Alessandra. Que bom que gostou do artigo! A informação que temos é que qualquer pessoa física ou jurídica que tenha uma conta transacional num prestador de serviços de pagamento pode usar o PIX. Isto é, usuários que possuam contas em conta corrente, poupança ou pagamento pré-pago. Essas informações, dentre outras, constam no site do Banco Central. Ainda há poucas informações tratando especificamente de entidades governamentais.

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