Usos e riscos do reconhecimento facial

Ainda que a presença do reconhecimento facial seja relativamente recente entre nós, essa tecnologia existe desde o século passado, e não estou exagerando. Os estudos preliminares se iniciaram em 1964 e foram tomando corpo até chegar aos moldes atuais, sendo o Facebook e a Apple grandes responsáveis na disseminação da tecnologia. 

O reconhecimento facial possui muitos usos, indo das redes sociais até o polêmico uso policial. Neste artigo irei te contar uma breve história do reconhecimento facial e os seus diversos usos.

Saiba mais: como o reconhecimento facial funciona?

Como surgiu o reconhecimento facial?

Os estudos preliminares do reconhecimento facial

Os cientistas Woody Bledsoe, Helen Chan Wolf e Charles Bisson deram início aos estudos para usar computadores para o reconhecimento facial lá em 1960. A base para a tecnologia era estabelecer pontos de referência nos rostos, como pontos centrais, olhos e boca. Eles não tiveram grandes avanços por limitações tecnológicas da época, mas esse pioneirismo foi o pontapé inicial para o os estudos mais avançados.

E assim chegamos em 1970, com os sucessores Goldstein, Harmon e Lesk, que incluíram outros fenótipos, como formato dos lábios e cor de cabelo, para o reconhecimento. Mas a coisa ficou mais precisa e avançada entre 1980 e 1990, quando Sirovich e Kirby aplicaram álgebra linear e desenvolveram o sistema batizado de Eigenface.

Também na década de 90, foi-se estabelecido um programa chamado Face Recognition Technology (FERET), que consistiu na criação de um banco de dados para esses rostos e o incentivo à comercialização da tecnologia de reconhecimento. Podemos considerar isso como um impulsionador para a futura popularização da tecnologia, que, na verdade, veio após os anos 2000.

A popularização do reconhecimento facial

O reconhecimento facial começou com usos governamentais com base no FERET, enquanto a popularização se deu com Mark Zuckerberg ao implementá-la na sua rede social em 2010. Assim como hoje, porém menos preciso, os algoritmos do Facebook já eram capazes de detectar os rostos e perfis dos usuários na época. Com isso, especula-se que o banco de dados alavancou.

No entanto, somente em 2017 que o uso do reconhecimento facial ficou realmente popular quando se tornou um modo de desbloqueio de tela dos iPhones X. Batizado de Face ID, a Apple introduziu a tecnologia nos smartphones, que mais tarde chegou para aparelhos mais baratos e deixando de ser uma novidade ou diferencial da maçã.

Os usos do reconhecimento facial

Já foram adiantados alguns usos do reconhecimento facial no tópico passado, como o uso governamental, redes sociais e celulares. Porém, nos aprofundaremos neles e demais outros a seguir.

Redes sociais

Além da já mencionada função de marcação do Facebook, a detecção e reconhecimento facial nas redes sociais foi ressignificada pelo Snapchat, visto que foi ela quem iniciou com os famosos filtros. Os algoritmos precisam detectar as expressões faciais dos usuários para criar as interações com os filtros, como acontece no famoso filtro de cachorro o qual mostra uma grande língua quando abrimos a boca.

Esse uso do reconhecimento facial chegou em outras redes sociais, como o Instagram. Os filtros de redes sociais se infiltraram ainda mais nas mãos populares com a possibilidade de criar os próprios filtros com a ferramenta AR Spark.

Leia também: como funcionam os algoritmos das redes sociais.

Desbloqueio de tela de celulares

Senhas PIN ou padrão já estão ultrapassadas. A Apple mudou a nossa relação de desbloqueio de telas quando instalou a biometria e, mais tarde, o Face ID. A partir dele que vieram outras formas de desbloqueio que requer uso do reconhecimento facial e a chegada da tecnologia em demais dispositivos móveis.

A LG com a tecnologia de sensores ToF consegue identificar rostos a partir da distância do usuário do smartphone, compreendendo a profundidade dos detalhes faciais. 

Saúde

A tecnologia existe para servir as nossas necessidades, essa que veio também para amenizar e nos proteger de infecção por covid-19. O uso do reconhecimento facial para a saúde aparece com a detecção de rostos que estão ou não trajando máscara, item essencial de profilaxia.

O reconhecimento facial para este fim pode ser utilizado em estabelecimentos, identificando rostos sem o acessório para que fiscais possam solicitar o uso.

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Fechaduras inteligentes

Os objetos inteligentes estão deixando de ser novidade. Hoje, muitos dispositivos e até eletrodomésticos já são inteligentes, isto é, conectados à internet. O mesmo vale para os dispositivos de casas smart, aquelas que possuem os sistemas de segurança, controle de interruptores e lâmpadas à poucos cliques no celular.

As chaves já estão sendo substituídas por sistemas de reconhecimento facial, cujo desbloqueio funciona da mesma forma que nos smartphones. Basta posicionar o rosto perante o dispositivo e pronto. 

Leia também: 5 melhores aplicativos para casas inteligentes.

Aplicativos

Com o objetivo de evitar fraudes e para a segurança, o aplicativo de delivery Rappi adicionou reconhecimento facial para checagem de entregadores. A partir de uma selfie, o app verifica se a foto corresponde a foto cadastrada pelos entregadores. Este recurso já está presente nos concorrentes iFood e Uber Eats.

Ainda sobre aplicativos, as fintechs e demais instituições financeiras também têm utilizado o recurso para evitar fraudes e para verificação de usuários. Muitos apps de fintechs já solicitam senha por selfie durante a etapa de cadastro nos aplicativos.

Por se tratar de dado sensível, a utilização desses dados precisam estar em congruência com a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.

Policial e investigativo

O uso policial do reconhecimento facial serve para avaliar índices de reincidência em crimes, detectar rostos de criminosos, auxiliar em julgamentos, dentre outras soluções policiais e investigativas. Contudo, a aplicabilidade dela neste fim é polêmico e arriscado, uma vez que possui problemas que tocam o racismo e a privacidade.

Possuímos quatro grandes nomes com tecnologias de reconhecimento facial que foram solicitadas para essa finalidade: Google, Amazon, Microsoft e IBM. Todas elas suspenderam o uso policial de suas tecnologias. 

A IBM descartou seu software de reconhecimento, pois acreditou que seria um risco para os direitos humanos e a equidade racial. Em função da Inteligência Artificial e seus algoritmos serem projetados por humanos, seus vieses poderiam ser incorporados no reconhecimento e, assim, se tornar uma ferramenta prejudicial.

Sob a mesma perspectiva, a Microsoft se negou a implementar a tecnologia em câmeras de segurança num país que possuía histórico controverso de liberdade de expressão. Além disso, ao se preocupar com as falhas, a empresa recusa o uso para evitar que pessoas inocentes sejam detidas indevidamente. A negativa do Google segue a mesma linha.

Enquanto isso, a Amazon se encontrava na tentativa de vender sua tecnologia para auxiliar no Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. No entanto, os próprios funcionário da empresa enxergaram riscos de abuso policial. Assim, o software foi suspendido por 1 ano até que sejam estabelecidas regras para a implementação e uso do reconhecimento facial para este fim.

Outras aplicações de tecnologias de reconhecimento

Os algoritmos utilizados para o reconhecimento podem servir para detectar outros elementos e criar novas possibilidades. O Google Lens, por exemplo, é capaz de identificar diferentes objetos e nomeá-los. O Photoshop também merece destaque, pois sua ferramenta de detecção de objetos evolui cada vez mais, facilitando o trabalho dos designers.

O desenvolvimento do reconhecimento facial abriu portas para uma série de usos nos nossos cotidianos e aplicabilidades em outras áreas e para outros fins. Essa tecnologia tem avançado bastante por conta da Inteligência Artificial, tecnologia da transformação digital. Entenda mais sobre o assunto conhecendo mais sobre como as tecnologias têm impactado na sociedade e nas empresas.


  • Taysa Bocard
  • Analista de marketing
  • O interesse pela tecnologia e desejo por conhecimentos variados sempre fizeram parte de mim, isso desde a infância. Esse desejo pueril refletiu no meu cotidiano: sou jornalista engajada nas "techs". Porém, a busca pelos saberes não é a parte mais gratificante da minha atuação. Na verdade, o que mais me empolga é passar as informações para frente.

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