O que é geolocalização? Saiba porque usar no seu aplicativo

Todos os nossos planejamentos exigem algum norte. A escolha de qual restaurante comer será guiada pelo tipo de comida que o seu estômago (ou cérebro) deseja. A resposta para “qual curso vou fazer” dependerá de qual é seu objetivo de vida. Afinal, não tem sentido estudar edificações se a meta é se tornar médico. Ou seja, para tudo precisamos de uma direção, seja no sentido literal ou não.

Tomando pelo lado literal, as constelações e as bússolas foram instrumentos que nortearam as navegações, por exemplo. Ainda que sejam recursos que oferecem uma certa segurança do destino, já existem outros capazes de oferecer a geolocalização com muita precisão, otimizando desde a navegação, as estratégias militares e até os negócios. Neste artigo iremos entender melhor a geolocalização, sua história e suas aplicações no nosso cotidiano.

O que é geolocalização?

Imagine a seguinte situação: você acabou de chegar em casa depois de mais um dia de trabalho. Logo em seguida, seu celular vibra e notifica que você tem um cupom de descontos do iFood. Ao abrir o aplicativo, haverá um catálogo de restaurantes. Sua escolha se pautará no restaurante mais próximo, pois, afinal, a fome não pode esperar longos trajetos. Por fim, o motoboy precisará consultar o mapa e um GPS para chegar até você.

Desde o cupom de descontos até o recebimento do pedido há a presença da geolocalização. Os cupons são oferecidos a partir da sua localização e o catálogo de restaurantes é baseado no seu endereço. O aplicativo saberá disso seja pelo cadastro, ou ainda wi-fi e GPS. Porém, esses dois últimos não são as únicas formas de geolocalização existentes. Há também o AGPS e a radiofrequência:

  • Wi-fi: à medida que nos distanciamos do roteador wi-fi, o sinal fica mais fraco, correto? A lógica para a localização via wi-fi é a mesma. A distância é mensurada conforme a intensidade do sinal;
  • Radiofrequência: este modelo necessita da emissão de ondas de rádio. Este recurso pode ser utilizado para localizar celulares, desde que estejam com sinal e ligados;
  • GPS: coordenadas informadas a partir da interseção de sinais de pelo menos três satélites que estão na órbita da Terra;
  • AGPS (ou GPS assistido): é um aprimoramento do GPS. Além dos três satélites, esta tecnologia utiliza também a antena de celulares, como na radiofrequência.

Em suma, geolocalização é a determinação da localização a partir de coordenadas geográficas.

Como surgiram os GPS

O GPS nasceu a partir da Corrida Espacial, competição que fez parte da Guerra Fria. Nesta época, os Estados Unidos e URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) substituíram o conflito armado por uma disputa política, econômica e ideológico. Dentre os resultados deste período, encontramos o boom de desenvolvimento científico e tecnológico entre ambas as potências mundiais.

Em outubro de 1957, a URSS lançou à órbita o primeiro satélite: o Sputnik. No período, os cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) notaram que a frequência das ondas de rádio do satélite russo mudava conforme a distância: quanto mais próximo, mais forte o sinal e vice-versa. A observação deste fenômeno viabilizou o uso das frequências para a determinação de localizações.

Num primeiro momento, este avanço tecnológico serviu apenas como ferramenta para as estratégias militares. Assim, mais satélites foram lançados durante a Corrida Espacial, porém, com o tempo, seus usos se democratizaram. 

Dessa forma, somente em 1999 que o GPS começou a se adentrar nos cotidianos, aparecendo pela primeira vez para uso civil no telefone portátil “Benefon Esc”. Contudo, a tecnologia passou a servir para finalidades não-militares e seu preço foi diminuindo à medida que os anos avançavam. 20 anos depois, o acesso ao GPS já é gratuito. 

Aplicativos e dispositivos que usam a geolocalização:

Uma vez presente nos celulares, o GPS jamais irá deixá-los. Sendo assim, todos os smartphones, e até mesmo wearables, possuem a tecnologia. Por consequência, muitos aplicativos fazem uso deste recurso, como:

  • Pokémon go: lançado em 2016, o game para celulares só funciona se o GPS estiver ligado. O objetivo é caçar pokémons e batalhar em ginásios que estão próximos do jogador;
  • Tinder: o aplicativo de relacionamentos mostra pessoas, também conectadas ao aplicativo, que estão dentro do raio de distância definido pelo próprio usuário. Ou seja, fica à cargo do usuário visualizar pessoas a 5 km ou 100km;
  • Uber: popularizado no Brasil em 2014, o aplicativo de mobilidade urbana permite solicitar motoristas para realizar deslocamentos;
  • Instagram: a rede social de fotos e vídeos possibilita compartilhar a localização atual para outros usuários visualizarem. Além disso, é possível também ver outras mídias produzidas naquela determinada localização;
  • Buscar: este aplicativo exclusivo para iOS serve para localizar os dispositivos que utilizam este sistema operacional. 

Por que a geolocalização é boa para negócios?

A geolocalização surgiu para elaborar estratégias militares, como vimos anteriormente. Ainda que o assunto aqui não seja militar, a estratégia também faz parte dos planos de negócios. Segmentar um público e saber a localização deles é fundamental para que um negócio consiga se destacar e alcançar resultados efetivos. 

Proximidade com o usuário

Como vimos no exemplo dos tópicos anteriores, o iFood oferece no catálogo somente os restaurantes que estão próximos da localização do usuário. Portanto, temos aqui uma finalidade da geolocalização para os negócios.

Retorno financeiro

Como todo negócio surge para atender à demanda de um público, saber onde ele está é essencial para estabelecer a sede da empresa numa região onde os clientes frequentam, por exemplo. Ou ainda, oferecer promoções e descontos de lugares próximos aos usuários é um ponto extra para gerar interesse no consumidor. Convenhamos, não adianta oferecer um serviço que está muito longe, pois a distância pode ser desinteressante.

Anúncios

Em sites e e-commerces, a geolocalização também servirá para apresentar anúncios segmentados conforme o endereço dos visitantes das plataformas. Eu disse “também”, pois existem outras funcionalidades, bem como o cálculo de frete, por exemplo. 

E-commerce e marketplaces

Em marketplace de serviços como o Sem Patrão, é essencial saber a localização do usuário ou prestador de serviços para serviços que são feitos in loco. Afinal, nem todas as atividades podem ser home office

Aplicativos

Para definir o cliente ideal do seu plano de negócio, é necessário saber quem é essa pessoa, o que ela gosta de fazer, lugares que frequência, hábitos e quaisquer outras informações que possam ser úteis. A geolocalização pode ser um fator fundamental para entender essa pessoa. 

Vamos ao exemplo: você quer fazer um aplicativo de carona. Lançá-lo em um lugar aleatório pode dar ou muito certo ou muito errado. Para não correr o risco, é mais interessante pesquisar dados dos lugares mais frequentados na sua cidade ou região. Dessa forma, a chance das pessoas aderirem ao seu aplicativo neste lugar é bem maior.

É importante ressaltar que, geralmente, lugares bastante visitados podem enfrentar problemas de mobilidade urbana, portanto o seu aplicativo de carona pode ganhar ainda mais destaque por ser uma solução aplicável. 

Outro detalhe importante é que, para essa função, o aplicativo precisa ter uma API de geolocalização. Isto é, incorporar ao software os dados dos satélites, seja do Google Maps ou Mapbox, por exemplo.

Gostei! Quero saber mais…

Como pudemos ver, a geolocalização está à alguns poucos cliques nas telas dos nossos celulares. Essa tecnologia oferece muitas funções que podem ser úteis para o cotidiano e para negócios. Se você estiver planejando abrir um negócio, que tal abrir um aplicativo? Continue lendo e saiba o porquê de utilizar geolocalização em aplicativos.


  • Taysa Bocard
  • Analista de marketing
  • O interesse pela tecnologia e desejo por conhecimentos variados sempre fizeram parte de mim, isso desde a infância. Esse desejo pueril refletiu no meu cotidiano: sou jornalista engajada nas "techs". Porém, a busca pelos saberes não é a parte mais gratificante da minha atuação. Na verdade, o que mais me empolga é passar as informações para frente.

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