Qual o destino da Uber? Ela vai acabar?

A Uber está próxima de completar seus 10 anos de existência. Lançada em 2010, o aplicativo de mobilidade urbana teve a categoria Uber Black como seu primeiro serviço. A ideia inicial do app era voltada para as necessidades de locomoção dos executivos para suas reuniões. O sucesso foi tamanho que expandiu para outras categorias, países e segmentos. Mas a pergunta é: a Uber vai acabar? Afinal, essa quase 1 década não trouxe lucro para a empresa.

Uma vez que existem outros concorrentes fortes no mercado de aplicativos de mobilidade urbana, a Uber é obrigada a investir pesado nas estratégias de marketing para recrutamento de motoristas e outros recursos para engajar o uso da ferramenta. Para tentar trazer mais renda para o aplicativo, a Uber abriu seu capital na bolsa de valores. Contudo, os investidores ficaram receosos. Entenda tudo e mais um pouco com este artigo!

1- O histórico da Uber
2- Os prejuízos da Uber
3- Os problemas da Uber
4- O que esperar da Uber na próxima década?
5- A Uber vai Acabar?

O histórico da Uber

O aplicativo veio de uma startup. Isto é, uma empresa que tem a inovação e disrupção como pilares para a existência. Em outras palavras, a Uber trouxe uma proposta de mobilidade urbana jamais vista e que, de certa forma, alterou a forma pela qual nos transportamos.

Exatamente por este motivo que ela polarizou muitas discussões ao longo destes anos de existência. Enquanto que os passageiros viam o benefício da qualidade do serviço e de preços mais justos, taxistas de várias localidades se manifestaram contrários ao aplicativo, bem como a Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. Inclusive, a capital paulista foi palco para muitos protestos e paralisações de vias contra o serviço do aplicativo.

Nessa perspectiva, fica claro que a startup escalou bastante. Isso se confirma com o fato de que ela atingiu 700 cidades em 63 países diferentes.

E ainda que esse crescimento tenha sido exponencial até num dado momento, o aplicativo nunca conseguiu lucrar. Assim como faz a Amazon, o marketplace de motoristas usa todo o retorno financeiro para investimentos. No entanto, e diferente de Jeff Bezos (CEO da Amazon), a Uber não aplica seu dinheiro em infra-estrutura, e sim em tecnologia. O objetivo é oferecer novos tipos de serviços de transporte.

Porém, as expectativas da empresa são bastante altas — literalmente, como veremos no tópico “a Uber vai acabar” —, sendo necessárias outras fontes de renda para alcançá-las. E foi assim que, em maio de 2019, a Uber abriu seu capital e entrou na bolsa de valores.

Os prejuízos da Uber

Mas, afinal. O que significa a Uber abrir o capital? Empresas usam esse recurso como estratégia de captação de outras rendas. Isso quer dizer que ela oferece parte da participação da empresa em troca de dinheiro, portanto, passa a ter ações. Dessa forma, quem as compra acaba por se tornar “sócio” do empreendimento.

Assim, ao chegar na Bolsa de Valores, a Uber recebeu um preço: ela passou a valer 82,4 bilhões de dólares — cerca de 17,6% menor que o esperado. Porém, a empresa já se acostumou com baixos valores, uma vez que os saldos negativo vem tomando conta da carteira do aplicativo. O primeiro trimestre de 2019 rendeu um prejuízo de 1,2 bilhão de dólares, 18% maior que o visto ano passado.

O prejuízo do trimestre anterior (março, abril e maio) foi o maior registrado até o momento: 5 bilhões de dólares. Desse valor, 20% foi com o stock-based — pagamento da remuneração dos compradores das ações. A outra parcela serviu de repasses para motoristas, marketing e cupons de desconto. Desde maio, o valor da Uber já caiu mais de 30%, chegando a 52,8 bilhões de dólares.

Os analistas apresentam baixas expectativas em relação à empresa, uma vez que ela realiza altos investimentos que ainda levarão bastante tempo para retornar.

Como podemos ver, mais de 50% do faturamento da empresa vai para a captação de novos usuários e repasses internos do aplicativo, se tratando de um negócio que ainda tem pouca previsão para altos faturamentos. Ademais, existem também problemas e dilemas que nos fazem questionar se a Uber vai acabar. Vamos entender à seguir.

Os problemas da Uber

Como já mencionado anteriormente, a Uber foi o estopim para manifestações e polarização do atual cenário da mobilidade urbana, suscitando diversas questões como a empregatícia e assédio sexual.

Assédio sexual

A Uber se mostra preocupada com a segurança de seus usuários. Isso é notório com a promoção de ações contra a violência e a inclusão de recursos que podem ser cruciais em situações de perigo.

No entanto, a extinção desses ocorridos é utópica, o que reforça a necessidade de acréscimos nas funcionalidades do aplicativo. Segundo o relatório divulgado pela Uber, de 2017 a 2018, as acusações de assédio sexual aumentaram 21%. Em 2018, foram registrados 2945 casos nos Estados Unidos, o que corresponde 8 ocorridos por dia.

A Uber categoriza os assédios em 5 tipos: 

  • beijo não consensual em parte não sexual do corpo;
  • tentativa de penetração não consensual;
  • toque não consentido em partes sexuais do corpo;
  • beijo não consensual em parte sexual do corpo;
  • penetração não consentida.

Dentre os 5 tipos, o mais frequente é o toque não consentido em partes sexuais, e mais da metade deles são cometidos pelos motoristas.

Como medida de combate à violência, a Uber vai investir mais de 5 milhões de reais em programas até 2022 no Brasil, dentre ações em outros países de atuação. Além disso, novos recursos visando a segurança foram anunciados em novembro de 2019:

  • Botão para ligar para a polícia;
  • Disparo de mensagens ao detectar paradas longas não programadas;
  • Gravação de áudio;
  • Espaço para relatar problemas durante a viagem;
  • outros.

Concorrência

Ainda que a Uber seja um dos maiores nomes de referência em apps de mobilidade urbana no Brasil, existem muitos outros concorrentes internacionais que são páreos à pioneira desse tipo de serviço. A competição entre esses aplicativos coloca a Uber num grande dilema quanto ao faturamento.

A estratégia de arrecadação do aplicativo está intimamente ligada ao volume de usuários. Por isso que o marketing e cupons de desconto compõe os principais gastos da empresa, isto é, quanto mais usuários, mais renda. Dessa forma, os preços são os principais atrativos para manter e atrair a base de passageiros.

Portanto, o valor das corridas é o fator de maior competição entre os concorrentes da Uber como a Ola (Índia), Didi Chuxing (América Latina), Careem (Oriente Médio) e Lyft (Estados Unidos). Se ela quiser aumentar o faturamento, serão necessários acréscimos nos valores das corridas, o que pode ser fator para evasão do aplicativo.

Nessa lógica, ela fica presa num dilema: 1) ou aumentar o preço e perder clientes ou 2) continuar com preços e gastar mais com atração de novos usuários. Para o analista da Wedbush Securities, Daniel Yves, “o preço baixo escolhido pela Uber é inteligente e prudente”. Porém, prodente como? Com os saldos negativos, é inevitável questionar se a Uber vai acabar.

A empregabilidade dos motoristas

Mesmo o aplicativo reforçando que ele apenas realiza o intermédio entre os motoristas e passageiros, muitas manifestações exigem uma regulamentação do serviço. No Brasil, a empresa já foi condenada a pagar 20 mil reais de indenização à motorista. A justiça do Ceará compreendeu relação empregatícia entre o condutor e a empresa, uma vez que os 9 meses de contribuição se configurou como trabalho para a Justiça. Entenda o caso.

Dentre as reclamações acerca do aplicativo, há também sobre os direitos trabalhistas, visto que não há nenhum resguardo em questões de saúde ou remuneração em períodos de férias. Portanto, enfermidades ou descansos não são levados em consideração.

Além disso, o volume de motoristas aumentou, significando um crescimento desproporcional em relação ao número de usuários. Dessa forma, a jornada de trabalho dos condutores precisou aumentar para manter o padrão de ganhos no app já que a concorrência entre os prestadores de serviços também cresceu.

O que esperar da Uber na próxima década?

Toda essa reivindicação empregatícia pode ter um fim. A Uber abriu o capital como estratégia de recolhimento de fundos, correto? Isso não é à toa, pois esses investimentos da “amazon dos transportes” miram nos veículos autônomos.

Os carros elétricos e autônomos já são realidade em algumas partes do mundo, como podemos ver no vídeo abaixo. Dessa forma, espera-se que a Uber adote os carros inteligentes. Logo, é provável que o volume de motoristas diminua com esses novos veículos.

Porém, os autônomos não estarão restritos ao solo. A Uber tem expectativas altas de implementar a categoria Uber Air a partir do uso de aviões elétricos para uso compartilhado. Com foco na segurança dos usuários, a parceira-chave da Uber, a Elevate Network, está desenvolvendo as aeronaves capazes de aterrissar e decolar na vertical. Essas viagens prometem transporte democrático e eficiente através de preços acessíveis e sem congestionamentos.

As demonstrações do VTOL, nome da aeronave, terão início em 2020. Já a expansão para o uso comercial terá início somente em 2023. Confira o Uber Air com o vídeo:

A Uber vai acabar?

A chegada dos veículos autônomos significará o início do retorno financeiro. Ainda que os investidores possam ter receio com a empresa, as expectativas futuras são promissoras. Afinal, o aplicativo não ousaria anunciar datas de estréia de novos serviços se não tivesse certeza. Logo, a própria Uber está confiante no sucesso e despreocupada com as contas no vermelho.

No entanto, somente o retorno financeiro não será suficiente para ditar o sucesso ou fracasso da Uber na próxima década. Tendo em vista que os problemas de segurança e das condições de trabalho dos motoristas foram motivos para a perda de licença de atividade em Londres, a empresa precisa estar ainda mais atenta aos seus usuários para se sustentar.

O que você acha sobre o assunto? A Uber vai acabar ou ela ainda tem esperanças? Conte a sua opinião nos comentários!


  • Taysa Bocard
  • Analista de marketing
  • O interesse pela tecnologia e desejo por conhecimentos variados sempre fizeram parte de mim, isso desde a infância. Esse desejo pueril refletiu no meu cotidiano: sou jornalista engajada nas "techs". Porém, a busca pelos saberes não é a parte mais gratificante da minha atuação. Na verdade, o que mais me empolga é passar as informações para frente.

5 comentários no post “Qual o destino da Uber? Ela vai acabar?

  1. Muito interessante o artigo.
    Porém, acredito que o Uber já fechou seus 10 anos. Em 2019.
    Foi fundado em 2009. Em São Francisco, Califórnia.

    A fonte oficial (site da Uber) você vai encontrar fácil pesquisando esse termo “The Story of Uber “.

    1. Olá, Barroso! Que bom que você gostou! A ideia da Uber surgiu em 2009. No entanto, somente em 2010 que o aplicativo realmente foi lançado e a empresa fundada, então o artigo foi uma avaliação da primeira década de atuação! Você pode conferir no site oficial.

  2. Excelente artigo. Muito esclarecedor. Tenho minhas dúvidas se o “carro autônomo” vai pegar. China, Índia, Brasil, México são países muito pobres para deixarem tantos seres humanos sem trabalho. Sinceramente, espero e torço que não dê certo. Isso é o “de comer” de muita gente, de muitas famílias.

    1. Que bom que gostou do conteúdo Ubiratan! É bastante difícil de prever a recepção do recurso, mas não há dúvidas que caminhamos cada vez mais para dentro da transformação digital. A empregabilidade realmente será um dos principais pilares a sentirem esse impacto, assim como você já pontuou. Além desse avanço da Uber, há outras tendências tecnológicas em ascensão. Caso queira continuar no assunto, recomendo este artigo sobre transformação digital.

  3. Aplicativo do mau,está passando por cima de várias lei,tanto municipal,estadual e federal,tudo na corrupção, país de corruptos,trabalhador a 44 anos como taxista meus direito não estão sendo respeitados cadê os juízes do bem do certo, será que não existe mais,agueles que herdaram a verdadeira vida após a morte,espero que levante um juiz honesto,esse país, alô meu Presidente, peço que as leis sejam respeitadas,,o taxista não teve nenhuma vitória na justiça esse período que o aplicativos do mau, fora aplicativos,para a sobrevivência dos taxista,que está aqui. desde a época da pedra,o primeiro taxista foi o berney roubou,espero não estou pedindo muito, só que cumpra as leis

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