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Como os wearables estão mudando o setor da saúde

Os avanços recentes nas telecomunicações, no setor da microeletrônica, dos sensores e das técnicas de análise de dados abriram as portas para novas possibilidades de usar a tecnologia dos wearables no ecossistema digital da saúde. Antigamente, o tamanho dos sensores e aparelhos eletrônicos front-end impossibilitavam essas tecnologias de serem carregadas (ou “vestidas”) para coletar dados fisiológicos e de movimento. Agora, com circuitos em miniatura, funções de microcontroladores e transmissão wireless de dados, os wearables podem não apenas melhorar a qualidade de vida e os hábitos de seus usuários, mas revolucionar a prática da medicina em si.

Wearables e sensores podem ser integrados a vários acessórios como peças de vestuário, chapéus, pulseiras, meias, sapatos, óculos e até aparelhos como relógios de pulso, fones de ouvido e smartphones. Sensores de uso médico mais avançados são usados em dispositivos próprios, mas muitos wearables usam múltiplos sensores que são normalmente integrados em um sistema de redes que interconectam e cruzam os dados coletados por vários sensores corporais ou ambientais em um único aparelho. Alguns sistemas de monitoramento exigem o upload das informações colhidas em servidores (como de hospitais e clínicas) para que análises mais profundas possam ser feitas posteriormente. Com o advento da computação em nuvem, vários sistemas podem agora ser aprimorados com facilidade e sem a necessidade de instalação, diminuindo o alto custo de manter as redes de monitoramento.

weables para acompanhamento de atividades físicas enviando dados para nuvem

Os wearables são uma tecnologia em ascensão e, ao que tudo indica, vieram para ficar. Em 2017, a Apple vendeu mais Apple Watches que toda a indústria relojoeira suíça junta. Recursos da saúde são cada vez mais comuns nos “objetos de vestir”, normalmente incluindo alguma forma de contador de passos ou monitor de batimentos cardíacos, assim como em celulares. O mercado agora se move em direção a formas potentes e precisas de realizar diagnósticos e tratamentos complexos através destas tecnologias. Futuramente, os wearables poderão até mesmo identificar doenças graves sem a necessidade de exames médicos.

Atualmente, a maioria dos wearables podem ser classificados em cinco categorias:

  1. Monitoramento de saúde e bem-estar: sensores que examinam os dados fisiológicos de idosos e indivíduos que sofrem de doenças crônicas, facilitando as intervenções médicas que precisam ser feitas de tempos em tempos. São os usados mais comumente por pessoas que praticam esportes e pelo grande público de forma geral.
  2. Supervisão de segurança: dispositivos capazes de detectar quedas, convulsões epiléticas e ataques cardíacos em pessoas mais velhas ou suscetíveis a essas condições, enviando alarmes a cuidadores ou equipes de emergência.
  3. Reabilitação domiciliar: combinada com recursos interativos de games e ambientes de realidade virtual, a tecnologia de sensores pode criar sistemas de feedback aumentado para facilitar reabilitações domiciliares na fisioterapia, em pacientes com problemas cardíacos e idosos.
  4. Avaliação de eficácia: sensores que permitem avaliar com precisão o desenvolvimento e a eficácia de exames ou terapias, rastreando as alterações fisiológicas causadas por doenças crônicas, bem como o progresso de tratamentos em bases contínuas.
  5. Detecção precoce: combinando sensores corporais e monitores de atividade, a tecnologia pode ser usada para detectar sintomas e mudanças diversas no estado de saúde dos pacientes, efetivamente descobrindo doenças antes que elas se manifestem totalmente.

O mercado atual dos wearables e suas tendências

De acordo com relatório da IHS Technology, o mercado global para os wearables crescerá para 210 milhões de remessas em 2018, gerando uma receita de 30 bilhões de dólares – um aumento de mais de 250% em relação aos 8,5 bilhões em vendas durante o ano de 2012. Uma pesquisa realizada pela On World predisse que 515 milhões de sensores para wearables seriam distribuídos e implantados em 2017, em comparação aos 107 milhões vendidos cinco anos antes. Entre 2012 e 2017, houve um aumento de 552% na exportação de dispositivos e wearables voltados à saúde, constituindo 80% do mercado de sensores nessa época.

Segundo estudo recente, o número de wearables conectados ao redor do mundo saltará de 325 milhões (2016) para mais de 830 milhões em 2020. Mais que qualquer outra categoria de wearable, os dispositivos de pulso serão os mais comuns, com mais de 170 milhões de unidades vendidas só em 2020. Neste ano, a venda dos “relógios inteligentes” equivalerá a quase metade de todos os wearables distribuídos. Confira alguns dos novos recursos e tratamentos que podem ser aprimorados através desta tecnologia, com tendência para o crescimento nos próximos anos:

Câncer

Empresas grandes como a Nokia têm mostrado cada vez mais interesse em desenvolver wearables capazes de detectar diversos tipos de câncer em estágios iniciais, mesmo antes de exames clínicos mais aprofundados feitos por um médico. Apesar das pesquisas para que isso ocorra ainda estarem se desenvolvendo lentamente, descobertas nessa área aumentariam muito a taxa de sobrevivência e possibilidade de tratamento da doença.

Diabetes

Um estudo conduzido usando uma combinação de wearables e aprendizado automático concluiu que é possível prever o risco de diabetes antes dos testes clínicos, através do estudo de variações nos batimentos cardíacos. Os resultados sugerem que a tecnologia poderia assumir um papel importante na detecção e no diagnóstico da doença. O fato do aprendizado automático ocorrer via nuvem é um problema, mas no futuro espera-se que todos os cálculos e conclusões ocorram nos próprios dispositivos, oferecendo informação “ao vivo” para usuários.

Coração

A maioria dos wearables já vem equipada com tecnologia que permite aos operadores monitorar sua taxa de batimentos cardíacos, sendo alertados pelo aparelho sempre que uma mudança drástica ocorre. No entanto, institutos médicos hoje estão utilizando programas como o ResearchKit para executar estudos em larga escala para desenvolver wearables capazes de identificar doenças cardíacas, algo que não se descobre em exames de rotina.

Sono

Wearables como o Pebble Time registram automaticamente a que horas você vai dormir, as fases de sono e sono profundo, além das vezes em que você acorda durante a noite e quanto tempo você demora para cair no sono novamente. Outros aplicativos, como o Android Sleep App, permitem o diagnóstico de distúrbios do sono, alertam quando você está dormindo pouco e podem até mesmo dizer se você está roncando demais.

Pele

A pele é o maior órgão do corpo humano, e sua alta sensibilidade é um dos indicadores de saúde mais nítidos. A pele sofre alterações de acordo com seu humor, seu nível de estresse e mudanças ambientais, e portanto exige atenção particular. O wearable S-Skin consiste em uma micro-agulha e um dispositivo portátil que permitem analisar a pele e oferecer soluções, até mesmo sugerindo produtos específicos que você pode utilizar para melhorar a situação. Através de uma luz de LED, ele pode medir o grau de umidade, hidratação, vermelhidão ou melanina e salvar os dados no aplicativo, de forma que você possa acompanhar as mudanças.

Tecnologia da cura

No momento, os wearables mais genéricos (que funcionam como centros de notificação e incluem sensores de saúde) respondem pela maior parcela do mercado. No entanto, espera-se que no futuro estes consistirão na menor parte, com o aumento na popularidade dos wearables especializados. Com as empresas tendo cada vez acesso mais fácil ao aprendizado automático, o foco mudará para construir dispositivos capazes de prover insights e informações valiosas e úteis sobre mudanças específicas que podem ser feitas no estilo de vida de cada usuário.

Além disso, profissionais de saúde poderão ter os wearables como aliados no diagnóstico e no tratamento de doenças diversas, já que essa tecnologia será capaz de determinar com precisão as condições dos pacientes e os medicamentos necessários para sua recuperação.

Como você acha que os wearables podem revolucionar ainda mais o setor da saúde? Deixe um comentário abaixo contando para a gente!


  • Conrado Carneiro
  • Diretor de Negócios
  • Diretor de negócios na Usemobile atua diretamente na criação de produtos: Da ideia ao lançamento. Apaixonado por tecnologia, tem como hobby o estudo de UI/UX mobile. Atleticano por opção! "As pessoas vêem aquilo que elas querem ver"

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