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Lançamento de uma Startup, dicas pertinentes

A maioria dos conselhos que vejo de incubadoras e aceleradoras para o lançamento de uma startup são conselhos táticos. Muitas vezes são úteis no dia-a-dia, porém existem alguns conselhos fundamentais, que muitas vezes são ignorados ou esquecidos.

Pensando nisso, reunimos aqui os conselhos que julgamos mais importantes e transformadores para as Startups. Seja um senso comum ou contra-intuitivo, as orientações a seguir ajudaram a maioria das startups a encontrar seu caminho pro sucesso.

Lance seu produto o mais rápido possível!

A primeira coisa que sempre falamos aos nossos clientes aqui na Usemobile é lançar seu produto imediatamente. Pode parecer uma estratégia prematura mas o motivo é simples: a única maneira de entender completamente os problemas e necessidades dos usuários e descobrir se o produto atende as necessidades. Pode parecer estranho, mas é melhor lançar um produto medíocre o mais rápido possível, e depois conversar com o cliente (usuários) e iterar,  do que esperar para construir o produto “perfeito”. Mas atenção! Isso só será verdade, desde que o produto contenha um “pouquinho de qualidade” e que o valor agregado supere os possíveis problemas proporcionados pelo lançamento precoce do produto.

Não escalem!

Uma vez realizado o lançamento de uma startup, o segundo conselho é ainda mais estranho. Sugiro que os founders realizem atividades que NÃO ESCALEM! Uma boa sugestão de leitura é o post Do Things That Don’t Scale do Paul Graham.  Muitos dos investidores tendem a incentivar as startups investidas a escalarem cedo. Para isso, é necessário a construção de uma tecnologia e processos para suportar esse dimensionamento, o que, se prematuro, será um grande desperdício  de tempo e esforço. Essa estratégia muitas vezes leva ao fracasso e até a morte da startup.

Em vez disso, sugerimos as startups que estão começando, a obter seu primeiro cliente por qualquer meio, mesmo que possa gerar um grande esforço manual. Esforço esse, que não poderia ser gerenciado para mais 10, muito menos por 100 ou 1.000 clientes.

Na fase inicial de concepção do produto, os founders ainda estão tentando descobrir o que precisa ser construído. E para criar algo útil é necessário ouvir os usuários, ou seja, ter contato direto com os clientes.

Exemplos dessa aplicação:

Um grande exemplo disso, foi o que fizeram os founders da Airbnb. Durante o período de concepção do produto eles se ofereceram para fotografar “profissionalmente” as casas de seus primeiros clientes. Com isso, as primeiras casas cadastradas ficaram mais atraentes, puderam ter conversas incríveis com os clientes e por fim, as conversões melhoraram. Não havia chance alguma de escalar esse processo, mas se mostrou essencial para aprender a construir um produto vibrante, que realmente resolvia as dores dos usuários.

Um outro exemplo, ainda mais próximo da nossa realidade, foi o que realizou o founder da EasyTaxi, Tallis Gomes. Durante os primeiros meses de operação, Tallis recebia todas as chamadas do aplicativo em sua caixa de e-mail e ligava pessoalmente para cada taxista, além disso ele fazia um followUp com o passageiro para saber se o taxista já havia chegado e se durante a corrida tudo correu bem. Esse processo era extremamente lento e custoso, mas o colocava frente-a-frente com o cliente e os desafios enfrentados por eles. Segundo Tallis isso foi essencial para a criação de um modelo escalável de sucesso.

Procure a solução 90/10

O terceiro conselho para o lançamento de uma startup envolve diálogo e execução. Conversar com os usuários irá lhe proporcionar uma longa e complicada lista de alterações / customizações para serem feitas. Um conselho que o Paul Buchheit (PB) sempre dá nesse caso é: “Procurar a solução 90/10”. Ou seja, procure uma forma de conseguir 90% do que você quer, com apenas 10% do trabalho/esforço/tempo. Se você parar para pensar, quase sempre irá encontrar uma solução 90/10 disponível. Mais importante ainda, uma solução possível de 90% do problema real, é muito melhor do que uma solução 100% que leva séculos para ser desenvolvida.

À medida que as empresas começam a crescer, muitas vezes há centenas de distrações em potencial conferências, jantares, eventos, reuniões com investidores. Porém, temos uma lista abrangente de coisas erradas nas quais devemos nos concentrar. É sempre bom lembrar que no lançamento de uma startup os founders não podem perder de vista que as tarefas mais importantes para uma empresa em estágio inicial são: escrever código e conversas com os usuários.

Para qualquer empresa, seja do segmento de software ou outro, isso significa que, para fazer um produto que as pessoas querem, você deve lançá-lo, ou seja, disponibilizar o produto no mercado. Conversar com seus usuários para identificar se o produto lançado atende às necessidades. Receber comentários e fazer uma iteração. Ou seja, selecionar os comentários mais relevantes e aplicar alterações no produto. Essas tarefas devem ocupar quase todo o seu tempo / foco. Para grandes empresas e produtos, esse ciclo nunca acaba.

Demita seus clientes

Quando se trata de clientes, a maioria dos founders não percebe que eles escolhem os clientes, tanto quanto os clientes podem escolhê-los. Costumamos dizer que um pequeno grupo de clientes que amam seu produto é melhor do que um grupo grande que apenas gosta. Quando se está no período de lançamento de uma startup é fácil cometer erros ao escolher seus primeiros clientes. Por isso, às vezes, também é fundamental que as startups saibam o momento de demitir seus clientes. Alguns clientes podem custar muito mais do que fornecem receita ou aprendizado.

Um caso conhecido aconteceu com a Justin.Tv, que só se tornou um grande sucesso quando concentrou seus esforços para emissoras de videogames e para pessoas que tentavam transmitir conteúdo escrito. Mas direcionar os esforços, significou abrir mão de diversos clientes de outros segmentos. Para quem está enfrentando esses problemas no lançamento de uma startup, sugiro a leitura (em inglês) do artigo escrito por Michael Seibel, Usuários que você não quer (Users You Don’t Want)

Faça menos, porém melhor!

Um comportamento em nossos clientes que estão em fase de lançamento de uma startup, é fazer o máximo de recursos ou serviço. A intuição dos founders da Startup sempre será de fazer o máximo de coisas, enquanto que na realidade, a melhor estratégia é fazer menos, porém muito melhor. Um outro exemplo pertinente, são situações nas quais fundadores tentam incansavelmente fechar negócios com grandes empresas. No entanto, os acordos entre grandes empresas e pequenas startups raramente acabam bem para a startup. Os contratos costumam demorar muito tempo para serem concretizados, custam muito e muitas vezes não são concluídos.

Defina métricas, elas serão seu senso de direção

Uma das coisas mais difíceis durante o lançamento de uma startup é escolher o que fazer, já que você sempre terá uma lista infinita de coisas a serem realizadas. É vital que, muito cedo, uma startup escolha uma ou duas métricas chave, que usará para medir o sucesso. É essencial que todas as decisões tomadas pelos fundadores sejam com o objetivo de impactar diretamente as métricas. Durante o lançamento de uma startup, é comum enfrentarmos problemas com o funcionamento do produto. Muitas vezes é tentador criar novos recursos para resolver os problemas do cliente, em vez de ter uma conversa.

Dicas de bolso:

  1. Lance seu produto o quanto antes.
  2. Desenvolva algo que as pessoas querem
  3. Faça atividades que não escalam
  4. Encontre a solução 90/10
  5. Encontre 10 a 100 clientes que amam seu produto
  6. Toda startup em algum momento estará  financeiramente quebrada
  7. Foco: Escrever códigos e conversar com clientes
  8. O crescimento é o resultado de um ótimo produto e não o percursor.
  9. Não aumente sua equipe / produto até ter criado algo que as pessoas realmente querem.

Agora que já sabe tudo sobre o lançamento de uma startup, que tal colocar a mão na massa?

Empreender no próprio negócio é a forma mais eficiente de mudar a sua situação e a do país!

Como diz o empreendedor brasileiro raiz, que me tornei fã, Rick Chesther:

Pega a visão.