Impactos do coronavírus nos aplicativos

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O novo coronavírus (Covid-19) foi descoberto em dezembro de 2019 e rapidamente passou a ser classificado como agente de uma pandemia global pela OMS (Organização Mundial da Saúde). 

Dessa forma, vários países decretaram medidas preventivas e de combate à propagação do vírus, como cuidados básicos de saúde como a higiene, cancelamento de aulas das redes públicas e particulares, além das orientações de distanciamento social até que a situação esteja controlada.

Uma das principais medidas para o controle da pandemia tem sido evitar sair de casa. Sendo assim, grandes aglomerações, viagens sem cunho urgente e diversos eventos precisaram ser cancelados ou adiados. Desde o início do surto na província de Hubei, na China, esse processo tem demonstrado suas consequências ao redor do mundo.

Dentre essas consequências, encontramos os impactos do coronavírus nos aplicativos, pois tomou proporções globais, gerando aumento e diminuição do uso de alguns dos softwares para mobiles. Os ligados ao setor da saúde tem mostrado potencial para aumentar, fomentando o desenvolvimento de aplicativos federais, como o app do SUS e outros de telemedicina.

Por outro lado, com as orientações de isolamento social, motoristas de aplicativos tipo Uber têm ficado sem viagens; enquanto que os entregadores dos apps de delivery tem ganhado cada vez mais demandas. Continue lendo para entender os impactos do coronavírus nos aplicativos.

Aplicativos de delivery

A pandemia trouxe novos hábitos para a vida das pessoas, a necessidade de fazer compras on-line é um dos que vieram para ficar. O coronavírus provocou uma mudança de paradigma na forma de consumir, que desencadeou um grande crescimento de deliverys, principalmente de alimentos. 

De acordo com um estudo feito pela Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, os gastos com os principais aplicativos de entregas focados no delivery de comida (Rappi, Ifood e Uber Eats) cresceram 149% em 2020. 

Mas não só o setor de alimentação que domina essa modalidade de entrega, hoje o  mercado de delivery passou a atender praticamente todos os mercados, inclusive o pet. 

Após mais de um ano vivendo com restrições de atendimento, o delivery deixou de ser uma parte importante para ser a única, ou a mais importante parte de muitos estabelecimentos. 

Tudo indica que o delivery veio para ficar e que seu futuro é próspero e duradouro. Mas para isso é preciso ficar atento às novas demandas do mercado, como sustentabilidade, segurança, tecnologia e experiência do cliente. Como é um mercado que está em constante crescimento, ele também se modifica muito.

Saiba mais: Aplicativos de delivery são impactados pelo coronavírus  

E-commerce

O coronavírus provocou impactos em todas as áreas da economia. O isolamento social e as medidas de restrições impostas para conter o agravamento da doença fizeram com que a sociedade se adaptasse a um cenário bem diferente do que era visto um tempo atrás.

Se por um lado algumas atividades foram/continuam paralisadas ou reduzidas, por outro, alguns serviços estão com uma demanda maior, o caso dos e-commerces. 

Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) mais de 20 milhões de brasileiros descobriram o e-commerce e com isso houve um crescimento de 68% no setor, R$126,3 bilhões em faturamento e mais de 300 milhões de pedidos em 2020. 

Uma pesquisa promovida pela Go2Mob mostra as categorias mais populares no e-commerce. Alimentos lideram com 41% das compras totais, seguidos por medicamentos, produtos de limpeza, higiene e roupas, todos com 23%. Eletrônicos foram responsáveis por 14% das transações, cosméticos 12%, celulares, 10%, e eletrodomésticos 9%.

Os dados também apontam que celulares foram as plataformas mais utilizadas nas compras, respondendo por 82% das transações, enquanto computadores, apenas 25%. 

Quando o assunto é empresa que se destacou no e-commerce durante a pandemia, podemos usar como exemplo o Mercado Livre. O coronavírus gerou um impacto positivo na companhia que dobrou sua receita só no primeiro trimestre de 2020 e se tornou a empresa mais valiosa da América Latina (embora tenha perdido o posto para a Vale em 2021). 

Logo, tudo indica que o e-commerce continuará apresentando bons números durante o ano, já que a pandemia ainda é uma realidade e o isolamento continua sendo prioridade.

Aplicativos de mensagem instantânea e vídeo apresentam alta

Durante a pandemia, o uso global do Whatsapp aumentou 40%. De acordo com estudo da Kantar, os países que estão em fase inicial do coronavírus apresentam 27% de aumento, enquanto que os em fase intermediária e final tiveram um aumento de 41% e 51%, respectivamente. Vale a pena ressaltar que este aplicativo sempre esteve no topo dos apps mais baixados durante 2019, segundo levantamentos da Sensor Tower.

Os usuários que adicionaram o tempo extra no uso do app de mensagens são os jovens entre 18 e 34 anos. Essa mesma faixa etária é responsável pelo aumento de 40% do Facebook e Instagram. O Facebook informa também que houve um crescimento de 1000% no uso da plataforma para videoconferências.

Além disso, muitas marcas e influenciadores digitais têm usufruído das lives no Instagram para oferecer entretenimento para seus públicos, bem como organização de festivais musicais para serem transmitidos ao vivo.

As demandas de vídeo-conferências trouxeram um aumento de 78% na renda da plataforma Zoom. A empresa saiu de faturamento de 105,8 milhões de dólares para 188,3 milhões, totalizando 81.900 usuários.

Download de jogos mobile crescem

Além do sucesso que precede o Covid-19, os downloads de games mobile apresentaram um crescimento de 80% após a pandemia. A Coréia do Sul é um país que se destaca no download de games mobile, passando de 15 milhões de jogos baixados, segundo dados da App Annie. O jogo Slap Kings se mostra como o favorito entre os países França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos.

Vôos comerciais abrem espaço para aplicativos aéreos

Devido aos lockdowns, muitas empresas de aviação precisaram diminuir e pausar suas atividades para evitar o contágio por Covid-19. No entanto, somente as empresas de vôos comerciais apresentam esse déficit de atividades, visto que vôos particulares cresceram 69% através do aplicativo Flapper

O CEO, Paul Malicki, assegura que o risco de contrair coronavírus num dos vôos particulares é menor do que nos comerciais. Ademais, o aplicativo segue as recomendações da OMS de prevenção contra o coronavírus.

Fintechs incentivam uso de NFC e carteiras digitais

Embora aplicativos de delivery tenham fomentado as compras de mercado, os supermercados ainda são lugares bastante frequentados neste cenário pandêmico, e com motivo.

Portanto, tais lugares representam risco para contaminação. Assim, quanto menos contato houver, melhor. Nessa lógica, fintechs incentivam o uso de uma funcionalidade já presente em cartões: o pagamento por aproximação.

Com o simples ato de aproximar o cartão da maquininha, o token contido nele libera a compra sem precisar encostá-lo ou digitar a senha. Contudo, existem exceções: primeiras transações e compras de valores altos costumam solicitar senhas para autenticar a operação.

Para além dos cartões, celulares e smartwatches também possuem tecnologia NFC. Ao cadastrar cartões nas carteiras digitais como Samsung Pay, Apple Pay e Google Pay, transformamos nossos dispositivos em formas de pagamento.

Teletrabalho avança ao redor do mundo

Antes da pandemia, o trabalho home office já era realidade para 3,8 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. Porém, as medidas de isolamento social levou muitas outras empresas a adotar o home office também, como foi o caso da Usemobile. Embora o trabalho presencial esteja sendo retomado, o volume ainda é maior que o período anterior à pandemia.

7,9 milhões de brasileiros estavam trabalhando sob regime home office no período entre 20/09/20 e 26/09/20Fonte: https://covid19.ibge.gov.br/pnad-covid/trabalho.php

Nessa lógica que foi novidade para muitos, as plataformas para videoconferência e comunicação foram adotadas para remontar o cenário do presencial dentro das residências. E para atender essa demanda de streaming de áudio e vídeo, empresas mudaram o escopo de seus serviços e aprimoraram ferramentas, como foi o caso da Sympla.

A empresa focada em venda de ingressos precisou se reinventar e criar novas possibilidades de eventos. Assim surgiu o Sympla Streaming, uma plataforma de vídeoconferência para webinares, eventos corporativos online, dentre outros.

O Discord também foi uma plataforma que se adaptou para abraçar a migração do presencial para o digital. Antes dedicada à comunidade gamer, o Discord incentiva o uso da ferramenta também para trabalho, estudos, gastronomia e outros.

Pandemia fomenta soluções de telemedicina

A telemedicina não era regulamentada no Brasil até antes da pandemia. Com a lei 13.989, conhecida como Lei da Telemedicina, a atividade foi liberada no país. Com isso, soluções de atendimento à distância ganharam fôlego nas terras tupiniquins para promover atendimento médico mesmo com medidas de isolamento social.

Governo brasileiro desenvolve aplicativo de telemedicina

Lançado em março de 2020, o Coronavírus-SUS é o aplicativo do Ministério da Saúde que oferece informações sobre a doença como dados oficiais e orientações sobre os sintomas, indicando quando é necessário ir a hospitais.

De acordo com o Ministério da Saúde, o app tem como objetivo conscientizar a população acerca da doença e seus sintomas. Ao entrar no aplicativo, o usuário responde um formulário de autoexame cujo título é “Como está sua saúde nesse momento?”, verificando, assim, uma possível contaminação do vírus.

Além disso, o aplicativo conta com um mapa indicando as unidades de saúde e com uma seção de notícias para combater as fake-news sobre a doença.

Essa iniciativa do governo está totalmente alinhada com as tendências da telemedicina. E o resultado foi imediato: em poucos dias, foram feitos mais de 500 mil downloads, ficando em 7º lugar dos aplicativos mais baixados.

O app do SUS está disponível tanto para Android quanto para iOS.

Compartilhando com nosso vizinhos

O governo federal resolveu abrir o código fonte do aplicativo de combate e prevenção do coronavírus a fim de contribuir com o esforço mundial de controle da pandemia.

As equipes da Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia, em conjunto com o departamento de tecnologia do Ministério da Saúde, decodificaram o pacote de dados do app brasileiro sobre o coronavírus. O governo já repassou os dados e a documentação para implantação ao Panamá, Equador e Argentina — os primeiros a solicitarem o conteúdo.

Bot no whatsapp

O mestre em Ciências da Matemática pela USP (Universidade de São Paulo), Murilo Gazzola, criou um bot para WhatsApp para ajudar na identificação da doença. Este se assemelha ao aplicativo do Ministério da Saúde e, através de mensagens, ele ajuda a saber se existe a possibilidade de você ter contraído a doença.

O que os especialistas estão dizendo?

O pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Evaldo Stanislau, médico infectologista do Hospital das Clínicas e consultor da OMS na montagem de protocolos, elogiaram a iniciativa do app do Ministério, mas veem ressalvas no bot do WhatsApp

Para os especialistas, o robô funciona de modo rudimentar e poderia causar pânico. Por outro lado, recomendam o uso do aplicativo do SUS que também possui o mesmo objetivo do bot.

Aplicativos de rastreio do Covid-19

O aplicativo da indiana Appinventiv rastreia os usuários portadores do novo coronavírus. Aqueles que tiveram resultados positivos do Covid-19, e se cadastraram no sistema do app, são rastreados e monitorados pelas autoridades de saúde pelo ID do dispositivo. 

Via bluetooth, usuários não infectados recebem alertas quando estão próximos de portadores do vírus — ou outros perfis com potencial de disseminar o vírus. A depender do caso e riscos, esses mesmos usuários serão aconselhados ao isolamento pelo aplicativo.

O fluxo dos usuários no app se dá da seguinte maneira:

  • Usuários cadastram suas informações pessoais;
  • Acrescentam dados sobre seus veículos automotores;
  • Passam por avaliação de portabilidade do Covid-19, processo semelhante ao app do SUS;
  • Passam por avaliação de antecedentes;
  • Dá-se início ao rastreamento e geração de diário de viagens, recurso que irá planejar as rotas seguras para trafegar.
  • O objetivo é reduzir a transmissão do novo coronavírus e auxiliar as autoridades no combate à pandemia, especialmente devido ao cenário de baixa disponibilidade de testes e gravidade da doença.

Conclusão

Os impactos do coronavírus nos aplicativos podem levá-los ao pico e ao déficit. Os que exigem contato presencial entre os usuários têm apontado para um cenário de queda a fim de reduzir o contágio da doença. Por outro lado, é esperado que aplicativos de entretenimento e redes sociais possam apresentar grandes aumentos em razão do isolamento social.

Você identifica mais algum item na lista dos impactos do coronavírus nos aplicativos? Compartilhe com a gente nos comentários.

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3 respostas

  1. Bem interessante o post, parabéns!!
    Verificaram sobre.os apps de mensageira e video chamadas como estão? Tive curiosidade.
    E com essa maior demanda nos apps de delivery, estão conseguindo atender a todos da melhor forma ou tendo problemas?

    1. Olá! Que bom que gostou do artigo! Suas perguntas foram tão relevantes que até atualizamos o conteúdo para respondê-las. O uso de apps ligados a comunicação tiveram um aumento considerável (só o Whatsapp teve 40%), especialmente os com função de vídeo-chamada, pois as conferências podem ser usadas para muitas atividades: reuniões, shows ao vivo, aulas escolares e até de atividades físicas.
      Quanto o delivery, o aumento dos pedidos tem sido motivo pra reclamações por parte dos clientes quanto atrasos e produtos errados. Já os entregadores reclamam de falta de medidas de segurança contra o vírus como o álcool em gel e luvas. A Época fez uma reportagem que aprofunda melhor no assunto, informando, por exemplo, que o Reclame Aqui apresenta um aumento de 23% no volume de reclamações de alguns aplicativos. Você pode ler a matéria aqui.

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