Como dividir o equity entre os cofundadores

Uma dúvida muito comum no mundo empresarial e cada vez mais presente entre as startups é: Como dividir o equity entre os cofundadores (sócios da empresa).

Antes de abordarmos o assunto, é importante termos em mente o significado de equity.

Equity
Corresponde ao patrimônio líquido, ou seja, representa os valores que cada sócio ou acionista possuem na empresa.

Ao pesquisar sobre esse tema, me deparo com conselhos horríveis, que em sua maioria defendem a desigualdade significativa entre os diferentes membros da equipe fundadora.

Alguns argumentos, que encontrei, que defendem a divisão desigual do equity entre os cofundadores.

  • “Eu encontrei a ideia para a startup”
  • “Comecei a trabalhar n meses antes do meu sócio”
  • “Foi assim que definimos inicialmente”
  • “Meu cofundador ganhou um salário por n meses,  e eu não.”
  • “Eu convidei meu cofundador após angariar os primeiros investimentos”
  • “Meu sócio entrou após a criação do MVP

Os cofundadores acabam cometendo um erro grave, ao considerarem apenas o trabalho inicial na divisão do equity entre os cofundadores da empresa.

Todos esses motivos caem por terra, seguindo os 4 pontos a seguir:

#1 – O primeiro ano é importante, mas não é o principal.

Gasta-se em média 7 a 10 anos para construir uma empresa de grande valor. As pequenas variações nos dois primeiros anos não justificam a desigualdade na divisão do capital da empresa entre os cofundadores.

Divisão do equity entre os cofundadores

#2 – Mais igualdade = mais motivação.

Quase todas as startups falham em algum momento. Quanto mais motivados e envolvidos os fundadores estiverem, maiores as chances de sucesso. Obter uma fatia maior da torta não irá valer a pena, se essa desigualdade proporcionar uma desmotivação, levando-o ao fracasso.

#3 – Se você não valorizar seu sócio, ninguém irá.

Alguns investidores usam como critério de avaliação a divisão existente do equity entre os cofundadores, demonstrando como o CEO valoriza seus sócios.  Se você dá aos sócios 10% ou 1%, um investidor pode imaginar que eles não são muito bons ou que não serão muito impactantes na sua empresa. A qualidade da equipe é um dos principais critérios pelos quais um investidor avalia se irá ou não investir.

#4 – Startup é a execução e não a ideia. 

As divisões de equity muitas vezes favorecem o cofundador que inicialmente propôs a ideia, desfavorecendo os sócios que entraram no segundo momento e foram fundamentais para obterem o mercado e gerarem a tração inicial.

divisão do equity entre sócios de uma startup

HÁ MUITO TRABALHO PELA FRENTE!

Ter uma ideia inovadora e criar um plano de negócios não é nem a metade do caminho para se obter uma startup rentável e de sucesso. O equity entre os cofundadores deve ser dividido igualmente porque todo o trabalho está à sua frente.

Pode parecer um conselho controverso. Mas a divisão igual do equity entre os cofundadores, é o que tem funcionado na prática em startups de sucesso. [1]

Esse Cofundadores são o seu time, vocês estarão no mesmo barco e “remando para o mesmo lado”. São com essas pessoas que você passará a maior parte do seu tempo. São essas pessoas, que irão ajudar a decidir as questões mais importantes na sua empresa. Finalmente, será ao lado delas que você irá comemorar quando obter o sucesso!

IMPORTANTE:

[1] Se existe um receio inicial sobre o desempenho do seu sócio, ou se ele de fato será a pessoa adequada, certifique-se de que você tenha um cronograma de aquisição apropriado, conhecido como Vesting. No Vale do Silício, é muito comum contratos de vesting que levam em consideração o tempo trabalhado.  Em outras palavras, você pode possuir 50% da empresa em papel, se você sair ou ser demitido dentro de um ano, você vai embora com nada.

Após o primeiro ano, você obtém 25% de suas ações. Todo mês depois, você obtém 1 / 48º adicional da porcentagem total atribuída a você. Você só ganhará todas as suas ações no final de quatro anos. Isso garante que os fundadores sejam “ajustados” a longo prazo – e se houver um problema, você pode corrigi-lo sem prejudicar no primeiro ano. Outra boa medida de contingência é que apenas o CEO ocupe um lugar de diretoria antes de uma arrecadação de capital de capital significativa. Isso evitará disputas da diretoria durante decisões difíceis, como no caso improvável de o CEO ter demitido um co-fundador.

 

Esse texto foi publicado originalmente por  no Blog da YCombinator, a maior aceleradora do Vale do Silício, e pode ser conferido na integra aqui.


  • Conrado Carneiro
  • Diretor de Negócios
  • Diretor de negócios na Usemobile atua diretamente na criação de produtos: Da ideia ao lançamento. Apaixonado por tecnologia, tem como hobby o estudo de UI/UX mobile. Atleticano por opção! "As pessoas vêem aquilo que elas querem ver"

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