Acessibilidade Digital não é um bicho de 7 cabeças.

Acessibilidade é uma das palavras que mais aparece nos textos do nosso blog e hoje daremos início a uma pequena série de artigos dedicados a ela. Para esta parte levantamos alguns dados pertinentes e explicamos a importância da acessibilidade e inclusão digital.

Caso você não seja da área de comunicação, desenvolvimento, design ou arquitetura, tenha calma. Nesta primeira parte contaremos como surgiu essa preocupação global, para que sua leitura seja ainda mais inclusiva  no decorrer das próximas semanas 🙂

Mais que uma preocupação

Acessibilidade e inclusão vão muito além de calçadas táteis e rampas: é um conjunto de direitos constitucionais e regras heurísticas destinados àqueles que possuem algum tipo de deficiência física ou mental.

Infográfico
Número de pessoas com deficiência no Brasil
Cegos, 20 milhões e meio
Deficiência motora, 13 milhões
Surdos, 10 milhões
Deficiência mental, 2 milhões e meio
24 por cento da população brasileira possui algum tipo de deficiência, totalizando 45 milhões de pessoas.
Fonte: Censo 2010, IBGE.

No ano de 2006, a ONU (Organização das Nações Unidas) convocou a primeira Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a qual se estabeleceram diversas normas e leis divididas em três grandes grupos: 

  • Direitos fundamentais como saúde, educação e segurança;
  • Acesso à informação e à comunicação;
  • Punição dos responsáveis que não cumprissem acessibilidade.

Esse acontecimento deu início a um movimento ao redor de todo o mundo. Governos, empresas e outros tipos de instituições passaram a se preocupar e adotar práticas inclusivas. Mas será que somos de fato uma sociedade com tecnologia e informação acessível?

Menos de 1%

Sua memória fotográfica pode te fazer lembrar de alguns sites que possuem a opção de acessibilidade, como aquele velho botão de “ouça a notícia”. Mas não se deixe enganar. Infelizmente, a fração de sites que são realmente acessíveis é quase nula.

Um recente estudo do Movimento Web Para Todos (MWPT), idealizado pela jornalista Simone Freire, em conjunto a BigData Corp, constatou alguns dados alarmantes. Após analisar cerca de 14 milhões de sites brasileiros, foi constatado que menos de 1% das páginas passaram nos testes de acessibilidade. Nos sites governamentais esse número foi reduzido para 0,34%. A maior parte dos sites, cerca de 94%, ficou na zona cinzenta: não passaram no teste, mas ainda assim tiveram alguns pontos positivos.

Desenvolver um projeto acessível não é tão difícil

O propósito de uma ótima Experiência de Usuário (UX) é que ela seja igualmente utilizável para qualquer pessoa, considerando suas limitações físicas e mentais.

Infográfico
Uma boa experiência de usuário possui. Usabilidade, Design Gráfico e Acessibilidade.

Com tantos fatores envolvidos no desenvolvimento de softwares, como prazo, orçamento, tempo de desenvolvimento, testes, correção de bugs e por aí vai. A acessibilidade acabou sendo colocada em um dos últimos lugares dessa extensa lista de To Do, se não o último. Mas qual sentido isso faz, se o objetivo de qualquer produto é que ele alcance o máximo de pessoas possíveis? Essa é uma pergunta que nem mesmo especialistas da área de Acessibilidade conseguem responder.

Embora quem puxe as rédeas do assunto seja o UX Designer, desenvolvedores, comunicadores, arquitetos, engenheiros e designers unem suas forças para colocar em prática o ideal em comum dessas profissões: tornar o mundo um lugar de todos

Afinal, de que adianta termos à disposição os serviços tecnológicos que facilitam muito as nossas vidas, se essas ferramentas não atendem aqueles que mais precisam delas?

Um conjunto de normas heurísticas para acessibilidade digital foi criado para facilitar o aprendizado e entendimento da WCAG (Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo da Web). Com base nisso, o UX designer do portal acessibilida.de, Marcelo Sales, criou o Acessibilidade Toolkit, que é uma versão simplificada da WCAG e o material é disponível para download gratuito em vários formatos. Se trata também de um projeto colaborativo, onde a intenção é que possa ser traduzido para outras línguas.

Imagem.
Hugo, o intérprete virtual em Libras da ferramenta HandTalk.

Hugo, o intérprete virtual em Libras da ferramenta HandTalk.

Todos por todos

Ao contrário do que o imagético popular propõe, acessibilidade não é um conceito de altruísmo ou assistencialismo, se trata de Design Inclusivo. Seu objetivo não é só beneficiar as pessoas que possuem deficiências permanentes, mas também as provisórias: alguém que tenha quebrado a mão ou feito cirurgia em um dos olhos, por exemplo. 

A acessibilidade faz com que sua página ou aplicativo alcance e atenda ainda mais indivíduos. Pessoas com deficiência se comportam como qualquer outra, sentem vontades, satisfações e frustrações, mas para elas existem inúmeras barreiras que as separam dos produtos ou serviços oferecidos digitalmente.

Na próxima semana, com a ajuda de um especialista, iremos te contar como iniciar o processo de tornar seu conteúdo ou produto acessível, aprofundando nas principais métricas e heurísticas de Design e Desenvolvimento. Não deixe de conferir as atualizações através das nossas redes sociais!


  • Lucas Figueiredo Lima
  • Designer
  • 27 anos, graduando em Jornalismo e designer em constante formação. Acredito que a tecnologia e a informação são os principais pilares para a construção de um mundo mais acessível e inclusivo para todos. "Design cria cultura. Cultura molda valores. Valores determinam o futuro.” (Robert L. Peters)

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